Nós não temos nenhum problema com a regulamentação, diz CEO do Google

Executivo da empresa no Brasil, Fábio Coelho, afirma que regulação das plataformas é importante, mas precisa ser bem feita

Foto: Divulgação

Considerada uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a Google completou recentemente 25 anos de existência, destes, 18 de atuação no Brasil. A multinacional de tecnologia, conhecida pelo seu mecanismo de busca na internet, amplamente utilizado em todo o mundo, também oferece uma variedade de outros produtos e serviços, como o sistema operacional Android, o navegador Google Chrome, o serviço de e-mail Gmail, o Google Maps, o Google Drive para armazenamento na nuvem, entre outros.

A empresa, no Brasil, é comandada há 12 anos por Fábio Coelho. O executivo também é  vice-presidente da Google LLC desde 2015.  Ele foi considerado um dos 10 melhores CEOs do Brasil pela revista Forbes Brasil (2015 e 2016), ocupando posições executivas de marketing, vendas e gerência geral no mundo da internet e também em telecomunicações, serviços financeiros e produtos de consumo em companhias como Citibank, P&G e Pepsico. 

O presidente do Google Brasil reservou um tempo na sua agenda e conversou com exclusividade com A CRÍTICA sobre novas tecnologias, inteligência artificial, meio ambiente e regulamentação das mídias digitais no Brasil. Confira:

Presidente, aqui no Brasil, onde ainda há uma polarização muito grande, seja no campo político quanto religioso, como ser relevante e entregar um conteúdo que aproxima as pessoas?

Primeiro, com conteúdo de qualidade. Segundo, dando voz a  todas as correntes. E terceiro, fazendo isso respeitando a lei. Permitir que as pessoas possam se expressar faz parte de uma plataforma que é apolítica, que permite todos os espectros de comunicação desde que esse espectros estejam enquadrados dentro da legalidade.

Como o Google aborda a preocupação com a segurança de dados e a privacidade dos usuários?

Nós abordamos com a maior seriedade possível, tanto que nos engajamos da questão regulatória do marco civil, quando ele foi preparado. Participamos da confecção da Lei Geral de Proteção de Dados e acreditamos que, hoje, esse trabalho tem vários componentes. Um deles é a educação do cidadão, para que o cidadão possa entender como navegar com mais segurança na internet, não cair em “phishing”, “scamming”, que são fraudes cibernéticas. Segundo, ajudar as empresas a entender como elas podem estar totalmente protegidas na questão do cyber security, o uso de nuvens. São elementos que facilitam a maior segurança. A nuvem do Google é uma nuvem de excelente qualidade para isso. E o terceiro fenômeno interessante é olhar para todos os nossos produtos e engajar com a sociedade na busca de seguranças.

Roubo de celulares, mais de 80% dos celulares brasileiros são Androids. Isso é uma área de preocupação nossa, temos trabalhado e criado iniciativas para poder ajudar o cidadão no cuidado com seus dados e no cuidado com suas informações, principalmente informações financeiras.

Saiu uma pesquisa da TIC Domicílios de 2022 mostrando que 36 milhões de brasileiros não tiveram acesso à internet. Como aproximar essas pessoas da rede?

Tem várias coisas. Esse número já baixou bastante. O que nós tivemos foi um aumento enorme durante a pandemia, tem mais de 80% conectados hoje em dia. Logicamente, isso depende da região. Aí na região Norte o número não é tão alto. Eu acho que tem alguns componentes para isso. Nem todo mundo tem acesso a um computador ou um tablet. Os telefones celulares Androids foram os grandes responsáveis pela democratização do acesso à telefonia celular, porque são mais baratos e permitiam que todo brasileiro pudesse ter um. O que acontece é que a telefonia celular de dados ainda é cara. Então, aplicativos que apareceram, não necessariamente do Google, mas de outras plataformas tiveram muito mérito em ajudar e vão continuar ajudando a democratizar o acesso.

O Google impulsiona inovação tecnológica e apoia várias startups inovadoras. Como isso funciona?

Temos um centro de aceleração de startups, que se chama Google for Startups Campus. É um prédio em São Paulo, onde a gente traz startups do Brasil inteiro. Primeiro, é um centro de trocas de experiências, então, nesse prédio nós internamos algumas startups por meses para ajudá-las a realmente estar capacitadas a buscar funding (financiamento), a conseguir melhorar seus planos de negócios. 

Tem startups de vários tipos, com focos em sustentabilidade, empreendedorismo em pessoas pretas, outras com foco no agro, no varejo. Essas empresas passam um tempo no Google para que possam conversar com os capitalistas, com empreendedores, levantar financiamento, mas não temos nenhuma participação nessas empresas. O objetivo é criar um ecossistema vibrante de startups no Brasil.

O Google também é uma das principais empresas por trás do desenvolvimento da inteligência artificial e da aprendizagem de máquina, e utiliza essas tecnologias em diversos aspectos de seus produtos e serviços, como a personalização de resultados de busca, a tradução automática e os assistentes virtuais, como o Google Assistant.

Além disso, o Google é uma das empresas que fazem parte da holding Alphabet Inc., que engloba várias outras empresas e projetos relacionados à tecnologia e inovação. O Google desempenha um papel fundamental na forma como as pessoas acessam informações na internet e desempenha um papel significativo na evolução da tecnologia digital em todo o mundo.

Qualquer empresa pode participar?

Participar do campus, sim. Fazer parte do programa de aceleração tem um processo de seleção, porque tem muitas startups querendo participar, então, a gente escolhe algumas.

No Brasil, qual o papel do Google em iniciativas de responsabilidade social e ambiental?

A gente acredita, sendo uma empresa que tem que servir a todos os brasileiros, o Google tem um papel importante através de suas plataformas de democratização do acesso e da capacidade de comunicação. Por exemplo, você pega um vídeo de um sujeito pescando nos rios da amazônia, tem uma comunidade de gente que  o seguem. Na questão social, já que construímos produtos para todo mundo, temos que devolver.

Durante a pandemia distribuímos mais de R$ 150 milhões em auxílio, além de participar de programa de auxílio para pessoas e grupos considerados mais vulneráveis. Em relação à sustentabilidade, também vale isso. Fizemos um evento em Belém (PA) no mês de abril, com a presença do governador Helder Barbalho. E nesse evento, nós discutimos temas críticos como o desmatamento da amazônia, soluções para um futuro sustentável para a região Norte do nosso país e nesse evento lançamos várias iniciativas usando de inteligência artificial, imagens de satélites e parcerias, utilizando de várias ferramentas nossas, como Google Earth Engine, de mapas ou inteligência artificial, em parcerias com a comunidade local e ONGs que trabalham na amazônia.

Tem, também, a plataforma Alerta de Enchente… 

Tem vários que a gente usa para educar a população e informar. O Alerta de Enchente é um deles. A gente sabe que isso é muito importante e vai ficar cada vez mais importante em função das variações climáticas que vivemos nesse momento.Acreditamos que a tecnologia, se bem aplicada, pode salvar vidas. Um produto que tenha a capacidade de salvar vidas e que está cada vez mais importante, ele é considerado prioritário para gente. Desde o ano passado o Google ativou na busca e nos mapas para regiões de estados críticos, em parceria com governos e autoridades locais, onde desenvolvemos esses modelos de previsão de enchentes em tempo real. Este ano, além desses alertas, nosso modelo também vai emitir previsões para 27 cidades e vamos expandir para mais 20 cidades para o semestre agora. A ideia é evoluir e mandar notificação para os celulares das pessoas.

Sobre a questão regulatória da internet, de que forma o Google colabora com o governo brasileiro?

Primeiro, é importante dizer que nós não temos nenhum problema com a regulamentação. A gente acredita que a regulação é importante e tem que ser bem feita. Uma regulação mal feita é pior que nenhuma regulação. O que está acontecendo no momento: estamos empenhados em trabalhar com o relator Orlando Silva no Projeto de Lei das Fake News que acreditamos que é importante para o Brasil. Só que precisa de pequenos ajustes que temos trabalhado em nome do diálogo e em nome do entendimento. Por que eu falo isso?  Porque, se a regulamentação for mal feita, pode criar problemas que acabam levando a internet, as plataformas a serem menos úteis para os cidadãos. Tem várias consequências que não são entendidas abertamente quando as pessoas começam a tentar criar modelos de transparência, que são mais transparentes do que deviam. 

É a mesma coisa que falassem assim: ‘eu quero entender todos os detalhes de como vocês fazem a busca’. A receita da busca tem uma infinidade de variáveis que servem no rankeamento da busca. Se a gente tiver que liberar isso o tempo todo para todo mundo, na verdade vamos acabar favorecendo fraudadores ou agentes que querem se aproveitar disso. Temos muito cuidado o quão é exposta  a privacidade das pessoas, o quão exposta a informação fica e a nível de transparência para poder evitar que isso prejudique a internet livre e aberta como nós acreditamos.

Quais os planos de crescimento e expansão do Google no Brasil para os próximos anos?

Olha, o Brasil é um país prioritário dentro do Google global porque há um entendimento, primeiro, que a economia brasileira vai passar por um período de crescimento na próxima década; segundo, porque o Brasil, como um mercado para o Google, é um mercado muito bom. O Brasil tem uma história de amor com o Google e o Google retribui a isso com várias iniciativas. O Brasil é um mercado com muito potencial, quando a gente fala no futuro, estamos falando de inteligência artificial. A capacidade de produção intelectual, de soluções associadas à inteligência artificial para resolver problemas e olhar as oportunidades econômicas e sociais no Brasil, é muito grande. 

Falando em inteligência artificial, agora em novembro acontece a tão esperada Black Friday e o Google tem papel importante na busca por produtos. Podemos dizer que este ano será a Black Friday da inteligência artificial?Vai ser a Black Friday mais animada depois da pandemia. Os brasileiros estão com mais confiança e olhando para um futuro melhor e com mais vontade de fazer compras planejadas. Para quê serve a inteligência artificial? Primeiro, para trazer as ofertas mais relevantes para as pessoas. Segundo, para que o cidadão possa localizar de qualquer lugar e em qualquer momento. Baseado no seu histórico de navegação, você terá acesso a coisas que está querendo comprar. 

Por A Crítica

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